
Kayendriya-siddhir asuddhi-ksayat tapasah - Sutra II-43 – "Perfeição dos órgãos dos sentidos e do corpo, com a destruição das impurezas por meio de austeridades."
A palavra siddhi é utilizada em dois sentidos. Tanto significa “poder oculto” como “perfeição”. Aqui, obviamente, a palavra foi usada principalmente no segundo sentido.
O propósito essencial de tapas é purificar o corpo e submetê-lo ao controle da vontade. A presença da impureza no corpo e a falta de controle é que prejudicam sua utilização como perfeito instrumento da consciência.
Deriva da raiz “tap”, que significa “queimar”, “arder”, “brilhar”, “sofrer ou consumir pelo calor”, portanto quer dizer um esforço ardente sob quaisquer circunstâncias para a consecução de um objetivo bem-definido na vida. Envolve a purificação, austeridade e autodisciplina . Toda a ciência da edificação do caráter pode ser vista como a prática de tapas. Essa austeridade e disciplina não devem ser vistas como imposições ou limitações mas sim como desafios que te leve a se conhecer melhor e te impulsione na direção da auto realização.
Tapas é o esforço consciente para se atingir a união final com o Divino e para queimar todos os desejos que estiverem no caminho desse objetivo. Um objetivo nobre ilumina a vida, torna-a pura e divina. Sem esse objetivo, a ação e a oração não têm valor.
São três os tipos de tapas: O que se relaciona com o corpo(kayika), com a fala(vachika) ou com a mente(manasika). A continência (brahmacharya) e a não violência (ahimsa) são tapas do corpo. Usar palavras não ofensivas, louvar a glória de Deus, falar a verdade sem pensar nas conseqüências pessoais e não falar mal dos outros são tapas do falar. Desenvolver uma atitude mental mediante a qual se permaneça tranqüilo e equilibrado na alegria e na tristeza, mantendo o autocontrole, são tapas da mente.
Pelo tapas, o iogue desenvolve a força do corpo, da mente e do caráter. Ganha coragem e sabedoria, integridade, rápido progresso e simplicidade.
RECITANDO MANTRAS
Um devotado praticante de meditação, depois de anos concentrado em um mantra em particular, havia conquistado insight suficiente para começar a ensinar. A humildade do estudante estava longe de ser perfeita, mas os mestres no mosteiro não se preocupavam com isso. Certo estava de que não precisava aprender com mais ninguém; mas ao ouvir falar de um famoso ermitão que vivia sozinho em uma ilha no meio de um lago nas proximidades, viu que a oportunidade era muito atraente para ser deixada de lado. O praticante foi muito respeitoso com o velho ermitão. Depois de tomarem chá com ervas o praticante perguntou ao ermitão sobre suas práticas espirituais. O velho lhe disse que não tinha nenhuma prática espiritual, exceto por um mantra que ele repetia o tempo todo para si mesmo. O praticante estava extasiado. O ermitão estava usando o mesmo mantra que ele! Mas quando o ermitão pronunciou o mantra em voz alta, o praticante ficou estarrecido! “O que está errado?” -Perguntou o ermitão.“Eu não sei o que dizer. Eu temo que você desperdiçou toda a sua vida! O senhor está pronunciando o mantra de forma incorreta! “ “Oh! Isto é terrível. Como eu deveria dizê-lo?” O praticante deu a pronúncia correta, e o velho ermitão agradecido, pediu para ser deixado a sós para que pudesse começar imediatamente sua prática. Na travessia de volta, o praticante agora um mestre completo, ficou refletindo sobre o triste destino do velho ermitão. "Foi muita sorte eu ter vindo. Pelo menos ele terá um pouco de tempo para praticar o mantra corretamente antes de morrer." Neste instante, o praticante percebeu que o barqueiro que o levava, estava assustado, e se virou para ver o porquê. O ermitão estava de pé, sobre a água perto do barco, e dizendo respeitosamente: “Com licença, por favor. Eu sinto incomodá-lo, mas eu esqueci de novo a pronúncia correta. Você por favor poderia repetí-la para mim? “ “Obviamente o senhor não precisa disto,gaguejou o praticante;“ mas o velho insistiu em seu pedido educado até que o praticante demonstrou piedade e repetiu para ele novamente. O velho ermitão ficou dizendo o mantra muito cuidadosamente, devagar e repetidamente, assim que caminhava sobre a superfície da água de volta para a ilha.
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