
Em sua forma mais simples, a palavra é uma combinação das palavras Ishvara, que significa Senhor, Deus, Ser Supremo ou força da vida, e Pranidhana, atenção, amor para, render-se, a fé em, ou seja, "atenção para com Deus" ou "Entrega a Deus".
A mente, esvaziada de desejos de satisfação pessoal, deve encher-se de pensamentos ao Senhor.
Aprimorando e intensificando progressiva e sistematicamente uma atitude de auto-entrega a Deus, podemos por estágios, chegar à suprema iluminação. Através de Ishvara Pranidhana os desejos da personalidade são eliminados e assim natural e inevitavelmente a mente é reduzida a um estado de citta-vrtti-nirodha( inibição das modificações da mente), que nada mais é que samadhi.
Ishvara Pranidhana é a oferta de todo o seu ser à luz da Consciência dentro de você para algo maior que si mesmo . Ishvara é o nosso próprio conceito pessoal de Deus. Quando no Gita, krishna usa o termo Deus ou Senhor, Bhagavan ou Ishvara, não está se referindo a alguém "lá fora". Ele está se referindo a alguém que está dentro de nós o tempo todo, que está mais perto de nós do que o nosso corpo, mais caro a nós do que a nossa vida. Nosso corpo é um templo que abriga a Centelha Divina.
Ao praticarmos Ishvara Pranidhana nos direcionamos ao nosso centro e ali nos aquietamos, confiamos, aceitamos e agradecemos.
Essa entrega, porém, não é uma inatividade passiva. Ishvara Pranidhana não requer apenas que nos entreguemos, mas também que ajamos. A ação deve ser executada mas os resultados devem ser deixados nas mãos de Deus. Devemos nos desapegar dos resultados.
Portanto Ishvara Pranidhana é a dedicação das ações e da vontade ao Senhor. Quem tem fé em Deus não se desespera. Tem a iluminação (tejas).
Tudo existe dentro da ordem de Ishvara, não há nada aleatório, nada ao acaso.
O Marinheiro Náufrago
Conto milenar de origem árabe. Adaptação Poética de Uan Denes Roessler.
Um marinheiro encontrou-se acordando de um sono exaustivo, deitado nas areias da praia de uma ilha perdida no meio do oceano. Ao dar-se conta de que havia naufragado e de que provavelmente apenas ele havia sobrevivido, ajoelhou-se humildemente e agradeceu a Deus com todo seu coração. Ao terminar sua prece levantou os olhos em direção à ilha, e ao ver muitas árvores e pássaros, reparou que um bando de pequenos macacos comiam frutos de uma determinada árvore. Pensou imediatamente, como Deus é grande e maravilhoso, sempre revelando a boa guia para os que O amam. - Se os macacos podem comer o fruto, eu também posso. E novamente agradeceu a Deus. Enquanto comia os pequenos e deliciosos frutos, pendurado na copa da árvore, observou ao longe um coqueiral carregado de grandes e belos cocos, imediatamente desceu e correu em direção ao coqueiral. Comeu, bebeu, fartou-se. E...Novamente agradecido, ajoelhou e orou. Foi então que algo incrível aconteceu: enquanto subia nos coqueiros, deles foram se desprendendo os galhos mais secos, e ao caírem formaram quase que uma pequena cabana, bastava apenas uma ajuda aqui e ali, e pronto, estava feita uma casinha para abrigar-se do tempo, dos animais, enfim, sentir-se protegido. E claro...agradeceu muito, mas muito, a Deus Pai Todo Poderoso. E exausto, porém com o coração em paz, dormiu profundamente.
Pela manhã ao acordar, sentiu necessidade de beber água pura, e resolveu sair em busca de água. Caminhou a manhã toda, mas sua busca não foi em vão, encontrou um belo rio de águas límpidas. Bebeu, banhou-se, nadou, riu, gritou bem alto seu agradecimento a Deus. Aquela água tão pura e fria, aquele Sol tão radiante e quente, aquela areia tão fina e macia. Emocionado ele se ajoelhou e agradeceu a Deus por uma Natureza tão exuberante e maternal, por ser sua criatura protegida e amada. Chorou e riu, tudo ao mesmo tempo.
Ao voltar para a pequena choupana feita de galhos secos de coqueiros, viu muita fumaça naquela direção. Correu para lá e se deparou com o coqueiral todo em chamas. Seus olhos úmidos demonstravam tristeza e indignação, com o coração fechado falou para Deus: - Você me abandonou. Sua proteção é falsa, vem e vai. Uma hora você ajuda e outra abandona. Que brincadeira é essa? Sem graça alguma, Você me usa como um brinquedinho Seu. Neste momento ele sentiu uma mão tocar-lhe o ombro direito. Virou-se e viu um marinheiro como ele, que lhe disse: - Estávamos passando ao largo da ilha quando meu Capitão viu a fumaça, e imediatamente me mandou vir aqui buscá-lo. Vamos ?
Muito boa explicação de Ishvara :) Obrigada!
ResponderExcluirMagnífica explanação
ResponderExcluirNamastê